Omissão na remoção de cadáver animal e falta de assistência psiquiátrica geram comoção e polêmica na Vila Varela - POÁ COM ACENTO
Da Redação
Com informações enviadas por moradores ao Canal do Leitor do POÁ COM ACENTO
Poá, SP – Um episódio grave ocorrido na Rua Dr. João Rensi Neto, na Vila Varela, em Poá, mobilizou a comunidade local e gerou forte repercussão nas redes sociais. O caso expõe a omissão do poder público na zeladoria urbana, o drama da saúde mental na periferia e o uso de desinformação por figuras políticas em busca de engajamento, com imagens e vídeos que circulam sobre o caso são extremamente fortes e causam profunda repulsa.
Segundo relatos de moradores enviados ao Canal do Leitor, um cachorro foi atropelado na Rua Dr. João Rensi Neto no domingo de eleição, dia 25 de outubro. Moradores afirmam ter acionado a Prefeitura de Poá para realizar a remoção do corpo do animal da via pública, porém o recolhimento não foi efetuado, deixando o cadáver exposto no local por dias.
Com o animal ainda na via, um jovem conhecido no bairro como Bryan (ou Brayan), que enfrenta transtornos mentais graves (esquizofrenia) e vive em situação de extrema vulnerabilidade nas ruas, pegou o cadáver do cachorro, colocou-o sobre um mureta de cerca de um metro de altura e começou a esquartejá-lo com as mãos.
Moradores da Vila Varela relatam que o rapaz é conhecido na região e tido como uma pessoa pacífica quando medicada, mas sofre com crises psiquiátricas sem o devido acompanhamento do poder público.
O caso tomou proporções alarmantes após publicação do vereador de Suzano, Marcel Pereira da Silva (conhecido como “Marcel da ONG”). Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o parlamentar afirmou categoricamente que o homem estaria “comendo a carne do cachorro na rua”, gerando pânico e indignação na internet.
Vizinhos da Vila Varela rebatem veementemente a acusação de canibalismo animal. Segundo “José” (nome fictício adotado para preservar a identidade do morador), o rapaz não comeu o animal. As imagens mostram o jovem fazendo gestos com a mão devido ao forte odor de decomposição do corpo do cão (como mostra a foto).
“O Bryan é gente boa, mas está sem assistência e em surto. Ele não comeu o animal. Tem político se aproveitando de um drama humano e de saúde pública para espalhar medo e ganhar engajamento, sem oferecer ajuda real ao rapaz ou ao bairro. É lamentável”, desabafou o morador.
A reportagem do POÁ COM ACENTO procurou o gabinete do vereador Marcel da ONG via telefone e WhatsApp (11 94235-1014) para esclarecimentos sobre as declarações, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
Após a repercussão do caso, o jovem foi localizado pelas autoridades e conduzido à Delegacia de Polícia de Poá. Posteriormente, foi encaminhado para atendimento hospitalar e, segundo informações apuradas junto à comunidade, deve ser transferido para uma clínica de acolhimento particular.
O POÁ COM ACENTO irá fazer solicitações formais junto aos órgãos competentes da Prefeitura Municipal de Poá para obter respostas claras sobre:
Os motivos da não remoção do animal atropelado após os chamados dos moradores;
Quais medidas de assistência social e saúde mental serão garantidas de forma contínua para o cidadão poaense envolvido.
Nota da redação: Em respeito aos nossos leitores e em cumprimento ao nosso compromisso ético, não exibiremos os vídeos do ocorrido devido ao forte impacto visual e à natureza sensível das imagens.
Foto: Reprodução
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