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Nas sombras do plenário: Mesmo campeão de votos, Lucas Ferrari perde musculatura e vê presidência da câmara ameaçada - POÁ COM ACENTO

publicado em:10/10/26 11:50 AM por: Redação PoáPolítica

Da Redação

Isolamento, desdém com a imprensa local e promessas descumpridas minam a articulação do atual presidente da Câmara de Poá; vereadores nos bastidores criticam postura e questionam falta de diálogo.

Poá, SP – O peso de uma votação expressiva nas urnas não tem sido suficiente para garantir a estabilidade política do atual presidente da Câmara Municipal de Poá, Lucas Alves Ferrari. Apesar do resultado positivo no pleito, os bastidores do Legislativo poaense revelam um cenário de forte desgaste, perda de musculatura política e um racha crescente entre os parlamentares que coloca em risco sua continuidade no comando da Câmara de Poá.

Interlocutores do Poder Legislativo apontam que o estilo centralizador e arredio do parlamentar tem gerado fortes ruídos. Além do contínuo distanciamento da imprensa local e da falta de diálogo com a sociedade, o descontentamento interno ganhou contornos de revolta após relatos de descumprimento de acordos políticos firmados com os próprios colegas de bancada.

Nos corredores da Câmara, a avaliação sobre a postura do atual presidente é dura. Sob condição de sigilo, um vereador da Casa fez um forte desabafo à reportagem sobre a conduta de Lucas Alves:

“Ele usa os colegas para se projetar como o ‘bom moço’ perante a opinião pública, mas na prática a realidade é bem outra. Eu tenho palavra e cumpro o que combino, já o Lucas…”, revelou o parlamentar.

O sentimento de frustração reflete a rápida perda de sustentação de sua pré-candidatura à reeleição da Mesa Diretora. Colegas que antes garantiam apoio agora migram para novas articulações ou desenham uma chapa alternativa, deixando o atual presidente isolado e em posição de extrema vulnerabilidade nas negociações.

A fragilização de Lucas Alves abriu espaço para a consolidação de um novo bloco político na Casa. Diante da evidente perda de tração de Lucas, o meio político agora observa se o prefeito eleito, Saulo Souza, tentará intervir para socorrer a candidatura do atual presidente ou se deixará que a nova maioria formada no plenário defina o comando do Legislativo poaense.

A percepção geral é de que a Câmara Municipal vive um racha profundo, impulsionado pela insatisfação com a condução dos trabalhos e a falta de palavra nas pactuações internas.

A relação tensa com a imprensa local não é novidade. Desde o início de seu mandato na presidência, veículos da cidade e da região cobram a estruturação de uma assessoria de imprensa profissional e acessível na Câmara Municipal — um pedido sistematicamente ignorado ou tratado com desdém pela atual gestão. A pergunta que ecoa nos bastidores é: por que o presidente prefere manter o Legislativo sob uma espessa cortina de fumaça a prestar contas à população de forma transparente? Acredita ele só nas suas redes sociais e agência de marketing digital?

Buscando garantir a imparcialidade e o direito ao contraditório, o Portal POÁ COM ACENTO encaminhou questionamentos formais sobre o futuro político do vereador, o racha na Casa, o relacionamento com o novo prefeito e as críticas sobre sua perda de força política.

Em resposta enviada por e-mail, a Presidência da Câmara esquivou-se de responder diretamente às perguntas jornalísticas de interesse público, limitando-se a enviar uma nota burocrática sobre prazos administrativos:

“Caso sua mensagem seja um de pedido de informações, seja este feito por órgãos da imprensa ou não, estão – desde que não disponíveis para acesso imediato – sujeitas ao prazo de até 20 (vinte) dias para serem respondidas. Esse prazo poderá ainda ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, mediante justificativa expressa da Administração, conforme disposto na Lei de Acesso à Informação. Os atos e procedimentos da Câmara Municipal são regidos por seu Regimento Interno, sendo assim, cada pedido de informação recebido é encaminhado ao setor competente…”

A utilização de prazos da Lei de Acesso à Informação (LAI) para empurrar com a barriga perguntas urgentes sobre articulação política reforça, na avaliação de analistas e dos próprios colegas de plenário, o padrão de isolamento e fuga do debate público adotado por Lucas Alves.

Para complicar ainda mais o xadrez político do parlamentar, pesa contra ele o desgaste partidário recente: Lucas Alves foi expulso do Partido Liberal (PL) neste semestre, perdendo um importante pilar de sustentação política e partidária na região.

Sem legenda de peso, isolado entre os colegas de bancada e com pontes queimadas na imprensa, a pergunta que fica no ar nos bastidores do plenário vereador Osvaldo Leite Dantas, é uma só: será que ele conseguirá ser reeleito para a presidência da Câmara?

O espaço segue aberto caso o parlamentar decida se posicionar concretamente sobre os fatos relatados.

Foto: Redes Sociais

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