Caso Vanderlei: o outro lado da história - POÁ COM ACENTO
Por Sergio Rodrigues
Um assunto que anda correndo quente no Alto Tietê, principalmente nas redes sociais, foi o ocorrido com o funcionário da secretaria de Habitação de Poá, Vanderlei de Brito Furtado, que se envolveu em uma escaramuça de trânsito, que terminou em ocorrência policial. O acontecimento virou “viral” (desculpando-se o pleonasmo) em toda a região – despertou a curiosidade da imprensa e, naturalmente, de muita gente.
Resumindo o que foi colocado no boletim de ocorrência (B.O. n° MQ3488-1/2026), exarado na Delegacia de Polícia de Itaquaquecetuba, lá consta que ele cometeu os delitos de embriaguez ao volante, evasão do local do sinistro (ele havia batido o seu veículo em um carro Hyundai, modelo HB-20 e em um ônibus), desobediência e desacato. E, por esta razão acabou sendo detido preventivamente.
O caso caso ganhou bastante proporção, principalmente porque Vanderlei é um funcionário conhecido da prefeitura de Poá – e também promoter de shows e eventos musicais. Foi parar, basicamente, em todas as redes sociais, blogs e na imprensa regional.
Como a parte da polícia e do que saiu no noticiário acabaram gerando grande interação e teve divulgação massiva, a reportagem do POÁ COM ACENTO aplicou o primeiro princípio do jornalismo, que é ‘ouvir a outra parte’. Então, foi procurar o protagonista desta confusão para tentar entender o seu ponto de vista, isto é, a sua versão dos fatos.
“O que se falou de mim nas redes e também na imprensa teve grande parcela de exagero. É claro que muita gente foi mal intencionada na divulgação de minha imagem e da narrativa dos fatos. Mas não foi bem assim do jeito que estão dizendo por aí”, defendeu-se Vanderlei.
Obviamente, fatos notórios com personagens conhecidos e em tempos de disputa política, ganham os holofotes de modo que não se pode controlar. E os torpedos vêm de todo lado. Faz parte, é o jogo jogado da vida. No entanto, se faz necessário o ponto de vista de quem esteve diretamente envolvido – até pelo benefício da dúvida.
Segundo o seu relato, o caso aconteceu no domingo, 23, por volta do meio-dia (muita gente que divulgou disse que o acontecimento ocorreu à noite ou na madrugada). Ele foi a São Paulo buscar uma prévia de uma música (ele tem um filho que é cantor). Na volta, passando por Itaquaquecetuba, acabou abalroando um ônibus. No rebote, colidiu com um veículo Hyundai HB20. Como o seu carro, um Range Rover, ficou em uma posição que atravancava o trânsito, ele foi desloca-lo para o outro lado da pista, os policiais que chegaram ao local pensaram que ele estava se evadindo do local. “Mas, para você ver, o ônibus foi embora, sem reclamar de nada e o carro sim, teve problemas”, explicou ele. Por esta razão, da pretensa fuga, a abordagem feita pelos policiais foi um tanto ríspida. Foi daí – afirma Vanderlei – que ficou nervoso e acabou confrontando com palavras fortes os agentes da lei. “Neste momento, sim, posso tê-los desrespeitado um pouco”, confessa.
Mas, você estava embriagado? – perguntou a reportagem. “Não, não estava. E nisso as pessoas estão me julgando sem saber dos fatos reais. Não estava embriagado”, defendeu-se. Como no próprio boletim de ocorrência consta que não fora efetuado o teste do bafômetro, fica o ponto de vista do autor em confronto com as afirmações da Polícia.
Para justificar o seu comportamento, Vanderlei explicou que sofre de diabetes, toma insulina diariamente, e também toma remédios para controlar a ansiedade: “Uninaltrex”, “Topiramato”, “Voextor”, “Cloridrato de Fluoxicetina”. “Quando eles citaram o desacato, na verdade, fiquei alterado pela abordagem, que considerei descortês e até um pouco excessiva. Daí, disse palavras duras para os policiais”, reconheceu.
Por vezes, uma inferência não chega a ser uma evidência, por esta razão sempre é importante ouvir a voz de quem está sendo massacrado pela opinião pública. E, quanto ao fato de ser funcionário público, ele alegou que o ocorrido foi em um domingo “dia de minha folga, em que estava no meu carro, atrás de minha atividade particular, que é promover eventos musicais e organizar shows”, acrescentou.
Como se disse antes, acontecimentos assim viram foco de mexericos, aguçam a curiosidade até de quem não conhece a pessoa envolvida. Porém, por trás das cortinas do espetáculo público há a vida pessoal. Além do desgaste público da imagem, ações desta magnitude acarretam problemas psicológicos, afetam a família e o ambiente de trabalho.
No resumo da ópera, Vanderlei alega já haver ressarcido o prejuízo causado ao proprietário do veículo (conforme fotos). “Sim, o carro já foi consertado, inclusive já paguei à oficina e nesta parte está tudo certo. Pra você ver que o motorista do ônibus nem ficou no local, foi embora dizendo que não fora nada”.
Observando muito do que foi postado nos veículos de imprensa e nas redes sociais, as pessoas, nitidamente, ‘exageraram na pintura do pavão’. Obviamente, Vanderlei cometeu um erro e, dando razão aos policiais que atenderam à ocorrência, um servidor público deve ser comedido nos gestos e na maneira de se comportar publicamente. Todavia, Vanderlei não cometeu nenhum crime. No máximo, um deslize que lhe valeu uma noite no xadrez. E ainda que livre na audiência de custódia, teve que pagar uma fiança de cinco salários mínimos (R$ 8.105,00).
“Tive que pagar um alto valor para minhas posses. Aquele salário que divulgaram é o bruto, não ganho tudo aquilo no holerith, em torno de R$ 6.500, pois têm os encargos sociais e descontos”. E, para finalizar, Vanderlei diz que não é esta pessoa que pintaram nas redes” (fizeram diversos memes, inclusive, colando sua imagem a de um personagem procurado por pedofilia em Poá). Mas, diz que aprendeu a lição e que está pronto para enfrentar os ônus do caso. “Eu só quero que as pessoas não sejam tão injustas comigo e com minha família”, concluiu.
Foto: Divulgação
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