Poá: A vaidade que voa alto enquanto o povo tropeça no chão - POÁ COM ACENTO
Por Adilson Santos – Repórter
Poá tinha tudo para ser uma joia, e não era só uma placa no relógio na saída da estação ferroviária. A nossa cidade é, em essência, um resumo do Brasil: um caldeirão de diversidade, um patrimônio histórico riquíssimo e um potencial humano que transborda em cada esquina. No entanto, ao caminhar pelas ruas e observar os bastidores dos gabinetes, a conclusão é amarga: o grande problema de Poá são as pessoas que a conduzem e a vaidade cega daqueles que detêm o que chamamos de “pequeno poder”.
Vivemos em uma cidade onde o discurso é de acolhimento, mas a prática é de silenciamento. É inadmissível ver entidades que deveriam combater o assédio moral tornarem-se cúmplices dele. O relato de uma funcionária da periferia, vítima de importunação sexual — o aviltante “tapa no bumbum” — que vê seu caso abafado por “amigos do poder”, é o retrato fiel da escravidão moderna.
O agressor é protegido porque o diretor que deveria apurar é indicado por um empresário influente; o empresário é poupado porque sua família “ajuda uma ONG”. E assim, entre jantares, coquetéis e fotos para redes sociais, a sujeira é empurrada para debaixo do tapete. Para essa elite de cera, o pobre só serve como cenário para conteúdo digital. A imprensa? Essa é vista como “chata” porque ousa levantar o tapete e mostrar as provas que eles tentam esconder.
A seletividade do poder em Poá ganhou asas recentemente — literalmente. Enquanto o cidadão comum padece em filas ou espera por uma zeladoria que nunca chega, vimos o aparato público ser mobilizado com velocidade cinematográfica para atender aos “amigos do alcaide”.
Um deputado, em plena agenda não oficial com o prefeito, passa mal. O que se vê a seguir é o uso descarado de toda a estrutura da prefeitura e até do helicóptero da PM — gerido por influências e amizades do poder — pousando na praça para prestar socorro imediato. Para os grandes, o céu é o limite e o socorro é aéreo; para o morador da periferia, resta a buraqueira e a negligência, luzes de ruas apagada, a começar pela avenida Anchieta, que não tem acessibilidade, esgoto que volta em dias de chuvas nas ruas, avenidas, portar de restaurante, e a secretário do Meio Ambiente, finge não ver a poluição dos rios, pois não toma providências,. É a prova cabal de que o município, em vez de servir ao cidadão, está servindo aos interesses de uma pequena corte, medíocre, claro.
Poá é a terra de instituições que já foram referências: do Batuíra ao Reino da Garotada, da Social Skate, passando pelo CRUMA, APAE e Lar Mãe Mariana. Mas, tragicamente, vemos novos personagens surgindo, alegando defender causas nobres enquanto apenas colhem frutos do dinheiro público.
A vaidade de cuidar apenas do próprio “umbigo” contaminou até quem deveria ser o fiel da balança. Temos um Judiciário e um Ministério Público que parecem não conhecer o chão que pisam. Não sentem o cheiro do esgoto vazando, não veem a luz apagada. Criam dificuldades burocráticas, mas não movem um dedo para aliviar o sofrimento de quem está na ponta e se blindam para atender a população pedinte de melhorias para os quatro cantos da cidade.
A falha de gestão é visível: a secretária de zeladoria que não atende, a chefia de gabinete que nega água em eventos públicos e a prefeitura que organiza festas sem o mínimo de locais para descarte de lixo. E se o repórter Adilson Santos aponta o erro e mostra as fotos, ele é boicotado pelos vereadores que não gostam da verdade, e ainda da ordem, para dificultar a entrada dele na casa de leis, que dizem ser casa do povo. Ou cada da folia dos asseclas dentistas, dentinhos, amigos dos padeiros, doutores, professore e afins??? Que tem assessores que estacionam na entrada de acessibilidade da câmara? Onde tem servidores concursados com privilégios, entre eles saírem mais cedo, advogar na casa de leis e por ai vai???
Mas o problema também está na rua. Recentemente, presenciei uma educadora, dona de um comércio, que preferiu manter uma placa obstruindo a passagem de um deficiente visual — o amigo Ivan Galvão — do que prezar pela acessibilidade. Quando uma “educadora” e um comerciante preferem levar vantagem, como na velha Lei de Gerson, a sociedade adoece por completo. Até tu professorinha??
Assim caminha Poá. Entre luzes apagadas, esgoto a céu aberto e água suja, o cidadão que reclama é visto como um estorvo. Aqueles que detêm o poder de decisão defendem seus aliados e seus bolsos, nunca a cidade.
As eleições estão chegando. Em breve, as redes sociais serão inundadas por promessas e as ruas pela velha “boca de urna”. O meu olhar continuará aqui, incomodando os vaidosos e dando voz aos esquecidos.
Não é apenas um desabafo. É a realidade nua e crua sob o olhar de quem não se cala.
Ou estou errado?
Em tempo, gostei das duas charge.
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