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Humanologia em baixa na era da Inteligência Artificial - POÁ COM ACENTO

publicado em:31/08/26 9:12 PM por: Redação Sem Categoria

Por Adilson Santos

Estamos vivendo em uma época onde a tecnologia avança a passos largos, mas as relações humanas parecem caminhar no sentido oposto. Para definir o momento atual, costumo recorrer a um termo que sequer existe nos dicionários: humanologia. A palavra surgiu há alguns anos como tema da campanha publicitária de uma empresa de combustíveis. A proposta era brincar com a linguagem técnica para mostrar que, além de oferecer combustíveis com alta tecnologia, a marca investia no lado humano.

O alicerce daquela campanha resgatava uma das frases mais emblemáticas do país, imortalizada por José Datrino, o Profeta Gentileza: “Gentileza gera gentileza”. A ideia central era simples: as pessoas precisam ser mais humanas.

Hoje, entramos em cheio na geração da Inteligência Artificial. A IA deixou de ser assunto restrito à ficção científica para se tornar tema central até em propostas de candidatos à Presidência da República. O volume de dados que nos cerca é colossal. Estudos de sociologia e tecnologia estimam que uma criança de apenas 7 ou 8 anos de idade hoje tem acesso e consome mais informações em uma única semana do que um adulto do século XVII consumia durante a vida inteira.

No entanto, excesso de informação não tem significado avanço na empatia.

Recentemente, ao utilizar ferramentas de IA para ilustrar uma reportagem aqui no portal de notícias, notei um detalhe que chamava bastante atenção na imagem gerada. Como gestor do portal, decidi publicar a imagem como um teste social. A expectativa era que alguém, aplicando a tal humanologia, entrasse em contato pelo nosso Canal do Leitor ou no privado para avisar de forma respeitosa sobre o detalhe incorreto.

O resultado, porém, revelou um lado amargo da convivência digital. Como bem resume o jornalista Sergio Rodrigues, a internet está cheia de “especialistas formados na Faculdade do Facebook e pós-graduados na Universidade do WhatsApp”. Em vez do alerta gentil, o que se viu foi um pequeno grupo — umas 5 ou 6 pessoas — tripudiando, descredibilizando o editor e tirando sarro.

Nesse ímpeto desenfreado por obter likes e na cultura de destilar o ódio, vemos diariamente pessoas que pegam o recorte descontextualizado de uma fala ou de um fato e o transformam em combustível para inflamar redes inteiras. Alimenta-se o cancelamento, o ataque gratuito e a destruição da reputação alheia em troca de alguns segundos de engajamento.

É verdade que a grande maioria dos leitores é composta por pessoas educadas, que acompanham o trabalho com respeito ou simplesmente preferiram não comentar. No entanto, o dado perturbador desse teste social foi outro: não houve uma única pessoa que, de boa-fé, realizou um ato de humanologia. Ninguém reservou um minuto para enviar uma mensagem privada e ajudar.

Onde vamos parar? Que geração é esta que domina os algoritmos mais avançados do planeta, mas falha no teste básico da gentileza? A tecnologia evolui em velocidade exponencial, mas se a nossa capacidade de ser humano continuar caindo na mesma proporção, o futuro será tecnologicamente impecável, porém moralmente deserto. É hora de resgatar o óbvio — antes que a inteligência seja apenas artificial, e a humanidade, apenas uma lembrança.

Adilson Santos é jornalista multimídia, radialista, repórter fotográfico e gestor da Rádio PCA e do portal POÁ COM ACENTO. Com trajetória iniciada no fotojornalismo factual — marcada pela cobertura histórica do Voo 402 da TAM —, dedica sua carreira ao jornalismo comunitário, à liberdade de expressão e à análise de políticas públicas e mobilidade urbana no Alto Tietê.

 





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