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Responsabilidade que salva vidas – O papel da imprensa local na prevenção do suicídio - POÁ COM ACENTO

publicado em:21/05/26 9:36 AM por: Redação Editorial

Falar sobre o que acontece na nossa cidade e na nossa região é o oxigênio do jornalismo comunitário. Cobramos o buraco na rua, a falta de remédios e médicos nos postos, a transparência nas contas públicas e a segurança nos bairros. Mas há um território onde o compromisso do jornalista não é com o impacto da manchete, mas sim com a preservação da vida. Estamos falando da cobertura de casos de suicídio e tentativas.

Há quem defenda que “tudo o que acontece deve virar notícia”. No entanto, quando o assunto é a dignidade humana e a saúde mental, o silêncio estratégico e o critério rigoroso não são censura — são um princípio ético inegociável.

O POÁ COM ACENTO adota, uma postura clara: nós não divulgamos métodos, não publicamos cartas de despedida, não romantizamos tragédias e não apontamos “pontos tradicionais” ou locais onde esses atos acontecem. A ciência e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já provaram exaustivamente o chamado Efeito Werther: a espetacularização e o detalhamento desses casos funcionam como um gatilho devastador, gerando um comportamento imitador em pessoas que já se encontram em extrema vulnerabilidade.

Mas este editorial não é para falar apenas da nossa conduta. É um chamado à reflexão e uma convocação para todos os colegas, portais, rádios e páginas de redes sociais de Poá e de todo o Alto Tietê.

Não adianta os governantes falarem em campanhas de saúde mental se a imprensa, na busca pelo clique rápido e pelo engajamento imediato, joga contra a corrente.

O jornalismo regional tem uma força gigantesca na vida das pessoas. Quando um veículo local decide expor os detalhes de uma tragédia familiar na periferia, o impacto é direto, o rosto é conhecido e a dor é amplificada. Fazer o nosso papel significa entender que o interesse público deve sempre prevalecer sobre a curiosidade do público.

O verdadeiro papel da imprensa da nossa região diante desse cenário deve se concentrar em três pilares práticos:

Fiscalizar a rede de apoio: Cobrar se os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da nossa cidade estão funcionando com equipes completas, se há psicólogos e psiquiatras disponíveis na rede municipal e se o acolhimento é humanizado.

Informar sobre os sinais de alerta: Mostrar para a dona de casa, para o comerciante e para o jovem quais são os comportamentos que acendem a luz vermelha — como o isolamento repentino, frases de desesperança profunda ou o abandono de atividades que antes traziam alegria.

Ser ponte para a ajuda: Estender a mão ao leitor, lembrando sempre que o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente e sob total sigilo pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.

A informação deve servir para curar, não para ferir. Que a imprensa de Poá e da região saiba se unir em torno daquilo que realmente importa: uma comunicação responsável, solidária e que, acima de tudo, proteja a nossa comunidade. Informar com ética é, antes de tudo, defender a vida.

Participe, informe e ajude a melhorar sua cidade. O jornalismo começa com você.

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