Da Finlândia ao Kemel: O abismo entre o discurso do 'futuro' e o desperdício presente - POÁ COM ACENTO
Por: Adilson Santos
Poá, SP – Dizem que para entender o futuro da educação, é preciso olhar para o norte da Europa. No ano passado, foi exatamente isso que fez o Secretário de Educação de Poá, Diego Moreira. Em suas redes sociais, o Doutor pela PUC-SP e Escritor compartilhou registros de sua jornada de atualização na Finlândia, e escrevendo em suas redes sociais: “A gestão Saulo Souza olha para o futuro da Educação” – “Escola é fábrica de fazer futuro”.
O problema é que, no mundo real da Cidade Kemel, o “futuro” está escorrendo pela grande caixa de água e sarjeta há dias.
O contraste é gritante e beira o ridículo. De um lado, um currículo invejável, viagens internacionais, publicações e artigos na grande mídia e teses de doutorado. Do outro, uma simples boia de caixa d’água que vence o Secretário de Educação por nocaute. Pelo terceiro final de semana consecutivo, isto registrado só por esta mídia a EMEB Prof.º José Antônio Bortolozzo, tornou-se palco de um desperdício hídrico inaceitável. Desde quinta-feira (05/02), em plena volta às aulas, a caixa d’água transborda sob o olhar indignado da vizinhança.
Nas padarias, senadinho de café da cidade, o comentário é um só: de que servem os títulos acadêmicos se falta a capacidade básica de zeladoria? O “mundo acadêmico” do secretário parece não ter conexão com a chave grifo e veda rosca, e o senso de urgência que a gestão pública exige.
A situação coloca o governo Saulo Souza em uma “saia justa” desnecessária. Qual é a moral pedagógica de uma gestão que atravessa o oceano para buscar referências na Finlândia — país que é exemplo mundial em eficiência — mas não consegue resolver um vazamento no bairro vizinho populoso do Kemel?
“O fato de o problema persistir, mesmo após um contato de utilidade pública realizado por esta reportagem via telefone ainda em janeiro — em um gesto de cidadania para evitar o desperdício — revela uma preocupante inércia administrativa. Ao não priorizar um reparo básico, a gestão demonstra estar mais sintonizada com o ambiente ‘digital’ do que com a realidade das unidades escolares. Esse descaso não apenas joga fora água tratada e dinheiro do contribuinte, mas mina a autoridade do próprio discurso educacional: que lição de sustentabilidade os alunos do Bortolozzo recebem ao verem a escola ‘sangrar’ água limpa pelo telhado?”
Após insistentes cobranças do POÁ COM ACENTO, a Secretaria Municipal de Comunicação da prefeitura de Poá, informou: Sobre o caso mencionado, o vazamento foi fechado e a manutenção integral da caixa será iniciada no dia 12 de fevereiro.
Educação se faz com exemplo, não apenas com posts editados e fotos em aeroportos e lugares acadêmicos. Se a escola é a “fábrica de futuro”, a unidade Bortolozzo está entregando um amanhã de escassez e desleixo. Resta saber se na bagagem trazida da Finlândia veio alguma solução prática, ou se a eficiência ficou retida na alfândega.
O povo de Poá já aprendeu: o papel do diploma aceita tudo, mas o cano estourado não mente.
Fotos: Canal do Leitor / Reprodução Redes Sociais
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